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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pecuaristas devem ter atenção com ervas tóxicas na pastagem

Estima-se que existam no Brasil mais de 90 espécies de plantas tóxicas que causam prejuízos em rebanhos bovinos, segundo a Embrapa Gado de Corte. Em áreas com redução de pastagem devido à estação, essas plantas, que se mantêm verdes, atraem os olhares e o paladar dos animais, podendo leva-los à intoxicação e morte. Para evitar prejuízos, especialistas alertam os produtores para identificação dessas ervas e prevenção adequada.

O agricultor José Pereira, dono de uma pequena propriedade no município de Porto Nacional (TO), perdeu uma bezerra há cerca de dois meses, ele explica que "o animal tinha três meses e estava muito bonito. De repente, ela adoeceu e morreu. Não tenho dúvidas de que ela consumiu alguma erva venenosa" – conta, acrescentando que já comprou telas e estacas para fechar a área de reserva ambiental da chácara para evitar que outros animais tenham o mesmo destino.

" Essas plantas tóxicas acabam se tornando uma opção de alimento nessa época do ano. No Tocantins, a mais comum é conhecida por cafezinho (Palicourea marcgravii), que tem ação rápida e mata o animal em pouco tempo" – explica o médico veterinário e assessor executivo de Desenvolvimento Animal da Seagro, Cláudio Sayão.

Em outras regiões do país a erva também é conhecida por café-bravo, erva-café, erva-de-rato, roxa e roxinha. Dentre os sintomas após a intoxicação estão tremores musculares, pulso venoso positivo, movimentos de pedalagem, mugidos e convulsão final. "É algo bem rápido e o produtor normalmente já se depara com o animal morto" – complementa o veterinário.

Sayão orienta que os pecuaristas fiquem atentos à presença dessas ervas no pasto ou em áreas de mata próximas, devendo manter essas reservas cercadas para evitar que os animais adentrem e consumam as plantas venenosas.

Caso o produtor tenha dificuldade em identificar a erva, deve acionar um técnico para fazer esse diagnóstico ou mesmo retirar um exemplar e levar para ser examinado por alguém habilitado – diz, completando que outra forma de prevenção é ter alimentos (como milho e sorgo) guardados para o período de seca.

Samambaia
Outra espécie que merece atenção, segundo os pesquisadores da Embrapa, é a samambaia, que, apesar de inofensiva em jardins, são perigosas se consumidas pelo rebanho. A planta é encontrada em quase todo o Brasil, em áreas com maior altitude, e se apresenta como planta invasora em solos ácidos, arenosos e com baixa fertilidade. Ao ingerir a planta, o diagnóstico de toxidade pode até ser confundido com outras doenças, como carbúnculo hemático, leptospirose, tristeza parasitária e pasteurelose. Veterinários alertam que a prática de queimadas favorece a brotação, eleva a toxidez da planta e contribui para sua proliferação.

Dicas para evitar a invasão das ervas no pasto são cercar as matas ou capoeiras onde existe a planta, fazendo um bom aceiro junto às cercas; além de inspecionar pastos recém-formados. A prática de arrancar a planta e colocar o herbicida granulado na cova ajuda a evitar a rebrota.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Embrapa lança primeiro aplicativo para nutrição de bovinos de corte do mercado

O produtor precisa saber como investir, sobretudo, no período seco, momento mais crítico para suplementar o gado. Entretanto, tomar certas decisões com presteza e assertividade não é tarefa fácil, ainda mais se isso envolve perdas e ganhos. 

Para auxiliar na tomada de decisão do produtor e na avaliação do benefício: custo da suplementação no período da seca, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária lança o Suplementa Certo, primeiro aplicativo para smartphones e tablets, com sistema operacional Android, desenvolvido com o objetivo de ajudar na escolha de produtos e estratégias pertinentes a nutrição de bovinos de corte.

Fruto da parceria entre a Embrapa Gado de Corte e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a aplicação para avaliação de benefício - custo da suplementação na seca (BCSS) - permite comparar, dentro de um mesmo tipo de suplementação, produtos de diferentes marcas de produtos. Além disso, realiza a comparação entre tipos distintos de suplementação, ou seja, suplementação com sal proteinado e semiconfinamento. Outra informação disponível no App é o número mínimo de cochos que deve ser disponibilizado ao lote a ser suplementado. Na visão do idealizador e pesquisador da Embrapa, Sérgio Raposo de Medeiros, esse é um diferencial importante do aplicativo.

“A quantidade mínima de cochos varia dependendo da estratégia, proteinado ou semiconfinamento, do porte dos animais, e do número de animais do lote. Esse é um dos principais motivos para resultado sub-ótimos da suplementação e, portanto, uma informação que aumenta a chance de obtenção do potencial da técnica no campo”, ressalta Raposo.

Ao inserir as informações sobre os produtos e o lote de animais a ser suplementado, o pecuarista terá acesso, após a comparação dos dados, a índices que mostram a margem da suplementação, que corresponde à diferença entre a Receita e o Custo da estratégia e/ou produto analisado; o ganho de peso que recupera o investimento, chamado de ponto de equilíbrio, e o retorno, em reais, para cada real investido. “Seja qual for o critério usado para a escolha, a ferramenta auxilia o produtor a tomar uma decisão mais segura, permitindo a obtenção de resultados superiores”, explica.

Com a adoção da tecnologia espera-se impactar a prática da suplementação, principalmente, na margem de escolha e ação do produtor. A expectativa, segundo Raposo, é de incentivar uma atividade mais consciente, na qual o pecuarista esteja mais conectado com os resultados e engajado na cobrança por produtos de suplementação de melhor desempenho. Portanto, com o uso do aplicativo anseia-se que haja maior controle nas tomadas de decisões.

O lançamento do aplicativo Suplementa Certo confirma o esforço contínuo da Embrapa em transferir tecnologia para a comunidade rural. O software integra as principais metodologias para cálculo do custo-benefício no uso da suplementação animal bovina no período de estiagem. Tudo isso na comodidade de um smartphone, um notepad ou qualquer outro dispositivo móvel que possua o sistema operacional Android. 

Vale ressaltar, que o seu uso não depende da internet.

A apresentação oficial ocorre no dia 25 de julho, no Hotel Foyer do Royal Palm Plaza, em Campinas-SP, durante a 50ª Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia. O aplicativo estará disponível para download através do Google Play após essa data.