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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Pacto fiscal entra em vigor na Europa

A Europa começa a viver na prática a sua era da austeridade. Entrou em vigor ontem o pacto fiscal entre 25 países do bloco europeu, estabelecendo prazos para que governo equilibrem seus orçamentos. Mas, se oficialmente o acordo passou a valer, crescem as pressões para que os objetivos de redução dos déficits sejam flexibilizados e que governos tenham mais tempo para atingir as metas diante do desemprego recorde, do risco de uma recessão prolongada e de uma asfixia das economias.

Hoje, milhares de trabalhadores iniciaram o ano com o anúncio de que seus salários serão cortados em até 27%, enquanto em países como a Espanha novos impostos passaram a vigorar. O dia 1º de janeiro foi ainda marcado por greves tanto em Portugal quanto na Grécia.

O pacto fiscal foi uma exigência que os alemães fizeram ao restante da Europa para abrir seus cofres para resgatar países endividados. Na prática, a chanceler Angela Merkel mandou um recado simples: desta vez, ajudaria aos demais parceiros do bloco, mas essa situação jamais poderia se repetir.

A solução foi exigir que países aceitassem que não acumularão mais déficits orçamentários, uma vez que a atual crise tenha sido superada. Manter o equilíbrio em contas nacionais passou a ser uma obrigação e aqueles que violarem as regras serão penalizados com uma multa de 0,1% de seu PIB. A Corte de Justiça da Europa terá o poder de fiscalizar as contas nacionais. Reino Unido e República Tcheca se recusaram a aderir ao pacto.

Se oficialmente o acordo negociado em março passou a vigorar desde ontem, a realidade é que crescem as pressões nas últimas semanas para que alguns países recebam mais tempo para colocar suas contas em dia. Para governos e mesmo instituições internacionais, entre março de 2012 e janeiro de 2013, a situação econômica deixou claro que um rigor ainda maior nas contas passaria a ser prejudicial.

O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) defende a flexibilização, apontando que novos prazos seriam "mais eficientes e teriam mais credibilidade". A avaliação é de que, ao cortar investimentos, os governos estão promovendo uma queda importante de arrecadação e gastando com seguro desemprego.

O caso espanhol é um dos mais críticos. O país tem que passar de um déficit de 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 para 3% em 2014 - algo que muitos acreditam que seja inviável. Para o FMI, nem mesmo a França deverá conseguir reduzir seu déficit para 3% do PIB ao final de 2013. O fundo pediu que o governo e a UE aceitem a ideia de uma meta de 3,5%.

Já a Alemanha atingiu seu objetivo fiscal dois anos antes do que havia sido estabelecido como meta. Não por acaso, o governo de Angela Merkel insistiu em apontar que o pacto entrou em vigor "como planejado". Enquanto os líderes europeus debatem as novas regras, milhões de trabalhadores tiveram sua renda reduzida ontem. Na Grécia, começou a valer a nova regra que estabelece um salário mínimo 20% inferior ao de 2012. Na Espanha, subiram as tarifas de luz, telefone, bilhetes de trem, pedágio, entre outras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Jamil Chade, correspondente)



imagem: Veja.com

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Desacelaração global debilitou desempenho das exportações brasileiras em 2012


Após registrar taxas de dois dígitos entre 2010 e 2011, o crescimento das exportações da América Latina desacelerou fortemente em 2012, para apenas 1,5%, segundo estudo que o Setor de Integração e Comércio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) acaba de publicar. 

No caso do Brasil, a equipe do banco estima uma queda de 5% nas exportações totais, devido principalmente à redução nos embarques para a Europa (-8%), Argentina, ( -20%) e Chile (-18%). 

Mas no documento 'Estimativas das tendências comerciais - América Latina 2012', a estimativa é que houve também uma redução nas exportações brasileiras para a China (-5%), ainda que possa ter havido expansão nos embarques para o México (3%) e para os EUA (11%). 

O documento avalia que o desempenho das exportações da América Latina em 2012 reflete o final da fase de expansão do crescimento do comércio em seguida à crise financeira de 2008, período no qual as exportações regionais apresentaram uma impressionante recuperação alcançando uma taxa média de crescimento de 26% em 2010-2011. 

A constatação dos autores do documento do BID é que as condições desiguais que atravessam os principais parceiros comerciais da América Latina, contribuíram para os resultados das exportações deste ano. "A adversa situação na Europa resultou em queda nas exportações latino-americanas para este destino, ao mesmo tempo que o crescimento mais baixo da economia chinesa e coreana provocou uma forte desaceleração dos envios regionais à Ásia, que passaram de uma taxa de crescimento de 25% em 2011 a uma estimativa de apenas 1% para este ano". 

Isso explica porque os países que possuem um relacionamento comercial mais forte com Europa e Ásia, como o Mercosul e o Chile, tiveram um desempenho mais pobre. Fonte: BID e AE.



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Brasil registra pior saldo comercial com países europeus



Genebra, 17/12/2012 - A recessão econômica nos países do continente Europeu fará com que o Brasil registre seu pior saldo comercial com o bloco em mais de uma década. Dados oficiais revelam que, até outubro, as exportações brasileiras para o mercado europeu - o maior do mundo - sofreram uma retração de 7,5%.

A previsão também aponta para o acúmulo do maior déficit com a Alemanha em mais de duas décadas. Com a França, o buraco nas contas brasileiras já é o maior desde 1989.

Excluindo o ano de 2009, quando o comércio global registrou sua maior retração desde a Segunda Guerra Mundial, 2012 deve ser marcado pela maior queda nas exportações brasileiras para a Europa em 22 anos. Por enquanto, apenas o ano de 1990 registrou uma contração maior, com 8% de queda. O resultado de 2012 apresenta um tombo significativo na balança comercial. Até outubro, as exportações brasileiras para o mercado europeu somaram US$ 40,9 bilhões.

Já as vendas de produtos europeus ao mercado brasileiro continuaram ter um bom desempenho, com expansão de 4,5%. O resultado mostra o agravamento dos números referentes ao resultado das contas externas brasileiras. Por enquanto, os dados oficiais revelam um saldo favorável ao Brasil em apenas US$ 1,4 bilhão com o bloco europeu.

Em 2011, o superávit havia sido de mais de US$ 6,5 bilhões. Um superávit tão baixo quanto o de 2012 para o Brasil só foi registrado em 2001. Desde então, a Europa, que representa 20% das vendas nacionais, tem sido uma das garantias do superávit nas contas nacionais.

Mas, com a Europa de volta em uma recessão, cortes de salários, investimentos e desemprego recorde, um dos impactos mais claros tem sido a retração no volume de importação do continente.

Motor da Europa

As exportações brasileiras para a Alemanha, o motor da Europa, despencaram em 20%. Faltando dois meses para o fim do ano, os números revelam que o Brasil já soma o segundo pior déficit com a Alemanha desde 1989.

Mas, segundo os analistas, 2012 deve terminar com um buraco nas contas brasileiras de mais de US$ 6 bilhões, apenas na relação com a Alemanha. Com a França, a queda nas vendas brasileiras já chega a 10% em comparação com 2011. O déficit de US$ 1,6 bilhão já o maior em 23 anos.

Um dos casos mais dramáticos é a redução de 21% das exportações brasileiras para Portugal. O superávit nacional foi reduzido pela metade e a queda na venda de bens manufaturados brasileiros foi de 53%.

As vendas brasileiras para a Espanha despencaram em 16%. O mercado espanhol reduziu em mais de 52% suas compras de produtos manufaturados do Brasil. O que era um superávit de mais de US$ 1,4 bilhão a favor do Brasil em 2011 praticamente foi anulado em 2012.

No caso da Itália, as exportações brasileiras sofreram uma queda de 14% até outubro. O resultado tem sido uma explosão do déficit com a Itália, em mais de US$ 1,2 bilhão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Jamil Chade, correspondente)



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Agência de classificação de risco avista Brasil estável


A agência de classificação de risco de investimento Standard & Poors enxerga o Brasil como um país estável. Ao contrário dos economistas que veem um excesso de intervenção do governo da economia, a presidente da empresa no Brasil, Regina Nunes, considera que o País sofre, atualmente, o revés do excesso de otimismo de analistas e investidores com a economia brasileira ainda no início da crise econômica mundial.

Opinião compartilhada pelo economista-chefe do BTG Pactual, Eduardo Loyo. Eles dizem que expectativas exageradas sobre o ritmo da economia brasileira acabaram repercutindo em avaliações na mesma proporção pessimistas sobre a lentidão da atividade econômica em 2012.

Em seminário promovido ontem pela Fundação Getúlio Vargas, Regina defendeu a política monetária do Banco Central no governo de Dilma Rousseff e disse que o BC fez o seu trabalho ao iniciar o processo de queda da taxa básica de juros, em 2011.

Para ela, é compreensível que o governo tenha dificuldade em realizar reformas estruturais. Avançar rapidamente não é simples em um país como o Brasil, dos mais complexos entre os países que planejam ser desenvolvidos, destacou.




 As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Fernanda Nunes e Vinicius Neder. Colaborou Tássia Kastner)