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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Brasil apresenta manual de certificação para Rússia
O ministério da Agricultura irá apresentar para aprovação do serviço veterinário russo um manual de procedimentos de certificação, em reunião durante a Semana Verde Internacional, feira agropecuária que acontece em Berlim, de 16 a 19 de janeiro. O documento mostra como o serviço de inspeção sanitária do Brasil atua em todas as etapas do processo de criação e abate de animais para exportação de acordo com as normas da Rússia para a exportação de carne bovina ao país.
Esta deve ser a última carta na manga do governo brasileiro para que a Rússia retire a restrição às carnes dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. O embargo aos frigoríficos destes estados completa 19 meses no próximo dia 15.
Marques deve embarcar para Berlim na segunda-feira, 14, e reunir-se com os russos nos dias 16 e 17. Já Célio Porto, secretário de Relações Internacionais do Mapa e José Carlos Vaz, secretário-executivo da pasta, devem se encontrar com os ministros que participam da feira.
“O que temos que fazer é acertar a certificação, que tem que atender à União Aduaneira. Em relação a outras questões, já entregamos tudo. Eles já visitaram as plantas e os 20 planos de ação foram entregues a eles”, afirma o secretário de defesa agropecuária do Mapa, Ênio Marques. Os planos de ação contém as ações de cada planta para corrigir as observações feitas pelas autoridades russas após a visita, em agosto de 2012.
No final do ano passado o Mapa chegou a anunciar que o embargo havia sido suspenso, mediante a condição de não uso de ractopamina, cujo protocolo de uso para suínos já está com os russos para análise, e a certificação da produção de carne bovina e aprovação dos planos de ação. Contudo, as a três questões seguiram pendentes.
O uso de beta agonistas também deve ser debatido, embora deva se restringir à ractopamina para os suínos. No caso do uso em bovinos, o Brasil suspendeu a comercialização de dois produtos que já estavam aprovados para chegar ao mercado, garantindo, assim, que não há uso das substâncias promotoras de crescimento. Desta forma, não encontra problemas para embarcar o produto para os russos e para os europeus.
A liberação da venda dos beta agonistas no Brasil depende da elaboração de um protocolo de segregação, liderada pela CNA, que deve determinar como será a comercialização e produção de animais que utilizem estas substâncias. “Não recebemos nada. E nós também precisamos estabelecer a definição de confinamento, por meio de normativa, uma vez que o uso do produto está restrito a este sistema.” Fonte: Portal DBO
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Rússia impõe condições para fim de embargo
Se não conseguiu obter o fim do embargo russo contra as carnes de Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, a visita da presidente Dilma Rousseff a Moscou, na semana passada, pelo menos evitou o fechamento do mercado também para produtores que continuam exportando para aquele país.
Para revogar o embargo sobre as carnes paranaenses, gaúchas e mato-grossenses, as autoridades russas deixaram claro para Dilma que depende de o Brasil cumprir as condicionalidades impostas por Moscou.
Uma delas foi uma garantia adicional de que a carne suína exportada para a Rússia não contenha ractopamina, um aditivo de engorda. Tambem para os bovinos, o Brasil se compromete a não vender carne com uso de outros betagonistas, classe de melhoradores de desempenho que também inclui o cloridrato de zilpaterol.
A exigência das garantias contra os betagonistas não tem relação com o embargo aos três Estados. Vale para o Brasil todo. Na semana passada, a exportação dos Estados autorizados ficou suspensa porque o Brasil dizia que não tinha como conceder certificados com a dimensão das exigencias da Rússia.
Esse ponto foi resolvido por um acordo revelado pelo Valor na sexta-feira. O Brasil vai incluir no certificado uma declaração adicional e laudos laboratoriais atestando que a carne vendida para a Rússia é livre de ractopamina. Com isso, os únicos quatro frigoríficos de São Paulo, Goias, Minas Gerais e Santa Catarina que estao exportando suínos para o mercado russo ficam livres da ameaça de terem as vendas proibidas. As vendas deveriam ser retomada no sábado, dependendo da implementação da papelada pelo Ministério da Agricultura.
Mas o fim do embargo contra os três Estados e os esforços para que os riscos para a produção do resto do país sejam evitados dependerão também da inspeção das plantas exportadoras do Brasil. A terceira condicionalidade é o funcionamento do sistema segregado de produção, que separa os suínos ou o gado produzido sem betagonistas.
Uma missão veterinária russa estará no Brasil no primeiro trimestre de 2013. Os russos sugeriram fevereiro, justamente no carnaval, mas o Brasil alega que nesse periodo estará todo mundo na folia. Na ultima vez, os russos visitaram 20 frigoríficos.
A presença da presidente Dilma em Moscou ajudou os técnicos a desmontarem outro risco, "pelo momento", de a Rússia restringir a entrada de carne bovina em razão do caso "não clássico" de "vaca louca" confirmado no Paraná.
Mas a Rússia, disparado o mercado mais importante para a carne bovina brasileira, exigiu documentos adicionais de Brasília, especialmente sobre testes de "vaca louca" nos últimos anos. Os russos são os maiores compradores da carne bovina brasileira, muito mais importantes do que os países que já decidiram barrar o produto por causa da ocorrência (Japão, China e Africa do Sul) juntos.
O setor privado reagiu ao resultado da visita com um sentimento misto. Para Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), ela "evitou retrocesso, mas não avançou com a solução para o embargo dos três Estados".
Para Camargo Neto, presente em Moscou, o embargo nunca foi causado por questões técnicas. "A saúde publica e animal das carnes desses três Estados é indiscutível. O embargo sempre foi 'burocrático-comercial' e perdura ate hoje pelo atraso do Ministério da Agricultura em responder formalmente a todos os questionamentos dos russos. Os atrasos foram uma constante nesses 18 meses e finalmente, poucos dias antes da chegada da presidente, o Ministério da Agricultura entregou todos os documentos faltantes".
"Eu acreditava que a presença em Moscou eliminasse o argumento, até valido, de atraso na entrega de documentos. Existiria boa vontade de ler tudo rapidamente. A única explicação que tenho é que o governo, ao não priorizar na agenda bilateral a questão carnes, deixando sempre para o último item da pauta, sinalizou erradamente o interesse do Brasil em uma solução para o embargo", afirmou ele.
Na delegação brasileira, as versões eram desencontradas. Um negociador disse que os russos fizeram "vagas promessas" sobre o fim do embargo. Outro afirmou que isso está perto, e só não ocorreu agora "por questões burocráticas próprias dos russos".
Na verdade, a Rússia pode estar desmotivada. E uma das razões parece envolver o trigo. Moscou tem insistido em obter uma cota para exportar com tarifa zero, ao invés dos 10% cobrados dos países fora do Mercosul. Como o Brasil é membro da OMC, a cota teria que ser aberta para todos os parceiros. Mas a Rússia é competitiva, apesar da distância encarecer os fretes, por exemplo.
Ocorre que essa tentativa de barganha esfriou pelo lado russo. Por razões climáticas, a Rússia perdeu cerca de 20% de sua safra atual de trigo e chegou a cogitar restringir as exportações. Por outro lado, no Brasil há resistências às barganha. Os argentinos, grandes vendedores de trigo, também reclamam.
Em Moscou, o que surpreendeu mais, na verdade, foram os tropeços da presidente Dilma em relação ao tema da carne. Numa reunião com empresários brasileiros, ela chegou a perguntar porque a carne era tão preponderante na agenda bilateral. Notou que, quando abordou o tema na conversa com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev, o tradutor riu. Quando o próprio Medvedev ouviu a versão russa, riu tambem.
Depois, em entrevista, Dilma equivocou-se de forma dolorosa, insistindo que o embargo russo é apenas sobre a carne suína - na verdade, vale para todas as carnes de Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
A presidente, em todo caso, criticou o Ministério da Agricultura pelo anúncio factoide de duas semanas atrás de que o embargo tinha acabado e que surpreendeu Moscou. Afinal, os negociadores russos são conhecidos pelas ambiguidades, que podem significar tudo e o contrário.
Fonte: Valor Econômico / Por Assis Moreira | De Moscou
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Rússia ainda avalia suspensão de compra de carne do País
A intervenção da presidente Dilma Rousseff não foi suficiente para convencer o governo da Rússia a suspender o embargo à importação de carnes de três Estados brasileiros, em vigor há um ano e meio. Frustrando a expectativa do setor de anúncio de um acordo, a presidente disse que as autoridades de Moscou ainda analisam documentos e informações apresentadas por Brasília.
"Expressei a expectativa pelo pronto restabelecimento do comércio de carne suína do nosso país e do fim do embargo aos três Estados brasileiros", disse Dilma Rousseff ao lado do colega russo, depois de encontro no Kremlin. Em junho de 2011, a Rússia interrompeu a compra de carnes bovina, suína e de frango provenientes do Rio Grande do Sul, Paraná e de Santa Catarina.
"Eu ficarei surpreso se o embargo não for suspenso", disse Pedro de Camargo Neto, presidente-executivo da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Carne Suína (Abipecs), antes do encontro entre Dilma e Putin. Mas tudo indica que a pendência relativa aos suínos foi resolvida. Os embarques do produto foram suspensos no dia 7 de dezembro, quando venceu o prazo dado pelos russos para o Brasil adotar um sistema de certificação para garantir que o produto destinado ao país não possui ractopamina - aditivo alimentar que reduz a gordura e aumenta a quantidade de carne nos animais.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Mapa prepara visita da delegação brasileira à Rússia
Secretário do ministério discutirá liberação das vendas de carnes de estabelecimentos brasileiros
Com o objetivo de preparar a visita da delegação brasileira à Rússia, o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura (Mapa), Célio Porto, se reúne nesta quarta-feira, 12 de dezembro, com o diretor do Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária russo (Rosselkhoznadzor), Sergey Dankvert, em Moscou.
Célio Porto discutirá a liberação das vendas de frigoríficos brasileiros considerados aptos pela missão veterinária russa que esteve no Brasil em agosto deste ano. Após 17 meses de negociação, em novembro, o serviço sanitário da Rússia suspendeu o embargo das carnes exportadas dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. Um dos assuntos pautados será a sistemática quanto ao uso de ractopamina.
O ponto alto da visita ao país europeu será o encontro da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, e do presidente da Rússia, Vladimir Putin, no próximo dia 14 de dezembro. “A visita da presidente Dilma ao país europeu é uma oportunidade política e de negociações de alto nível para se obter o gesto concreto quanto à suspensão do embargo”, afirmou o secretário de Relações Internacionais, Célio Porto.
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