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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Brasil apresenta manual de certificação para Rússia
O ministério da Agricultura irá apresentar para aprovação do serviço veterinário russo um manual de procedimentos de certificação, em reunião durante a Semana Verde Internacional, feira agropecuária que acontece em Berlim, de 16 a 19 de janeiro. O documento mostra como o serviço de inspeção sanitária do Brasil atua em todas as etapas do processo de criação e abate de animais para exportação de acordo com as normas da Rússia para a exportação de carne bovina ao país.
Esta deve ser a última carta na manga do governo brasileiro para que a Rússia retire a restrição às carnes dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. O embargo aos frigoríficos destes estados completa 19 meses no próximo dia 15.
Marques deve embarcar para Berlim na segunda-feira, 14, e reunir-se com os russos nos dias 16 e 17. Já Célio Porto, secretário de Relações Internacionais do Mapa e José Carlos Vaz, secretário-executivo da pasta, devem se encontrar com os ministros que participam da feira.
“O que temos que fazer é acertar a certificação, que tem que atender à União Aduaneira. Em relação a outras questões, já entregamos tudo. Eles já visitaram as plantas e os 20 planos de ação foram entregues a eles”, afirma o secretário de defesa agropecuária do Mapa, Ênio Marques. Os planos de ação contém as ações de cada planta para corrigir as observações feitas pelas autoridades russas após a visita, em agosto de 2012.
No final do ano passado o Mapa chegou a anunciar que o embargo havia sido suspenso, mediante a condição de não uso de ractopamina, cujo protocolo de uso para suínos já está com os russos para análise, e a certificação da produção de carne bovina e aprovação dos planos de ação. Contudo, as a três questões seguiram pendentes.
O uso de beta agonistas também deve ser debatido, embora deva se restringir à ractopamina para os suínos. No caso do uso em bovinos, o Brasil suspendeu a comercialização de dois produtos que já estavam aprovados para chegar ao mercado, garantindo, assim, que não há uso das substâncias promotoras de crescimento. Desta forma, não encontra problemas para embarcar o produto para os russos e para os europeus.
A liberação da venda dos beta agonistas no Brasil depende da elaboração de um protocolo de segregação, liderada pela CNA, que deve determinar como será a comercialização e produção de animais que utilizem estas substâncias. “Não recebemos nada. E nós também precisamos estabelecer a definição de confinamento, por meio de normativa, uma vez que o uso do produto está restrito a este sistema.” Fonte: Portal DBO
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
OIE pede que países suspendam embargos à carne bovina do Brasil
PARIS, 8 Jan (Reuters) - O diretor geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) pediu a países que estão impondo embargos às importações de carne bovina do Brasil, depois da descoberta de caso atípico da vaca louca no mês passado, que suspendam as restrições assim que possível, afirmando que a medida é injustificada.
Na semana passada, a secretária de Comércio Exterior do Brasil disse que o país estava considerando recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) se os países que impuseram restrições ao produto brasileiro não levantassem os embargos.
Desde o anúncio do caso atípico, dez países já impuseram restrições à carne do Brasil ou a seus derivados: Japão, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, China e Taiwan adotaram embargo total; Jordânia e Líbano restringiram o produto do Paraná; Peru suspendeu completamente por três meses; o Chile restringiu apenas a compra de farinha de carne e de osso. A Arábia Saudita, porém, já voltou a comprar o gado vivo.
Os países informaram que estavam adotando restrições depois que a OIE divulgou informação do Ministério da Agricultura do Brasil de que os testes realizados com uma fêmea morta no Paraná em 2010 apontaram a existência do agente causador da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como mal da vaca louca. O Ministério da Agricultura informou que o animal nunca desenvolveu a doença, apenas tinha a forma de EEB considerada "atípica" por cientistas.
O diretor geral da OIE, Bernard Vallat, disse que os países têm o direito de adotar embargos provisórios como resposta de emergência a surtos de doenças que dependem de mais informações, mas ele diz que não há razão para tais restrições neste caso. "Um caso em uma população de 200 milhões de cabeças de gado não justifica a mudança de classificação", Vallat disse a repórteres.
A organização com sede em Paris manteve a classificação para o produto do Brasil como risco insignificante para a EEB, o mais seguro entre as três categorias. Este status é concedido a países que mostraram que a doença não existe ou é extremamente restrita.
"De acordo com os padrões da OIE, eles devem acabar com o embargo assim que possível", disse Vallat. A classificação para EEB do Brasil poderá ser discutida em encontro ordinário do comitê científico que deve acontecer em três semanas.
O Ministério da Agricultura informou que dará um prazo até março para que os países levantem os embargos à carne bovina do Brasil antes de tomar qualquer ação legal na OMC.
Vallat enfatizou que mesmo vindo de animais infectados, o consumo de carne vermelha pode ser considerado seguro para seres humanos, diferentemente do que ocorre com o cérebro ou a medula espinhal.
Os embargos totais ou parciais à carne bovina do Brasil em reação ao caso atípico de vaca louca devem ter maior impacto no primeiro trimestre deste ano para as exportações brasileiras, mas a recuperação de importantes mercados e a demanda crescente dos emergentes devem garantir um aumento das vendas no ano, avaliam especialistas.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Brasil decide jogar pela regra na negociação dos embargos à carne
Já são 10 países que fazem algum tipo de restrição, mas governo prefere aguardar até março para abrir disputa na OMC
Nem a confirmação do embargo peruano à carne bovina brasileira - ampliando para 10 o número de países com algum tipo de restrição - fez o Brasil mudar o tom. Até março, a ordem é seguir o manual das boas maneiras nas negociações, para, só então, comprar uma briga na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A suspensão do Peru é por 90 dias. Os embargos vieram depois da confirmação, no mês passado, do registro de um caso não clássico da vaca louca em 2010, no Paraná. Segundo o Ministério da Agricultura, os países que já deixaram de comprar a carne brasileira são responsáveis por uma pequena parcela das exportações, cerca de 5%. A maior preocupação é a Arábia Saudita, que figura entre os maiores importadores. Ainda assim, o país já autorizou o embarque de gado vivo do Pará.
Célio Porto, secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, diz que o Brasil buscará negociações até março antes de tomar qualquer ação mais forte. A medida é recomendada pela OMC.
- Temos expectativa de que nesses três primeiros meses, a gente consiga remover os embargos. Se depois deste período não conseguirmos sucesso com algum país específico, sempre cabe recurso à OMC. E o Brasil não se furtará de fazê-lo - destacou.
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, cada caso precisa ser avaliado individualmente. O dirigente defende o diálogo com mercados que pediram informações técnicas ao ministério e o endurecimento com Japão, Coreia do Sul e Taiwan, que fecharam as portas para o produto
"sem explicações". Fonte: Zero Hora/Imagem: Elza Fiúza/ABr
Nem a confirmação do embargo peruano à carne bovina brasileira - ampliando para 10 o número de países com algum tipo de restrição - fez o Brasil mudar o tom. Até março, a ordem é seguir o manual das boas maneiras nas negociações, para, só então, comprar uma briga na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A suspensão do Peru é por 90 dias. Os embargos vieram depois da confirmação, no mês passado, do registro de um caso não clássico da vaca louca em 2010, no Paraná. Segundo o Ministério da Agricultura, os países que já deixaram de comprar a carne brasileira são responsáveis por uma pequena parcela das exportações, cerca de 5%. A maior preocupação é a Arábia Saudita, que figura entre os maiores importadores. Ainda assim, o país já autorizou o embarque de gado vivo do Pará.
Célio Porto, secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, diz que o Brasil buscará negociações até março antes de tomar qualquer ação mais forte. A medida é recomendada pela OMC.
- Temos expectativa de que nesses três primeiros meses, a gente consiga remover os embargos. Se depois deste período não conseguirmos sucesso com algum país específico, sempre cabe recurso à OMC. E o Brasil não se furtará de fazê-lo - destacou.
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, cada caso precisa ser avaliado individualmente. O dirigente defende o diálogo com mercados que pediram informações técnicas ao ministério e o endurecimento com Japão, Coreia do Sul e Taiwan, que fecharam as portas para o produto
"sem explicações". Fonte: Zero Hora/Imagem: Elza Fiúza/ABr
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Peru também veta carne bovina brasileira
O Peru se tornou ontem o primeiro país da América do Sul a proibir a carne bovina brasileira devido ao caso "não clássico" da doença da "vaca louca" confirmado no início de dezembro pelo Ministério da Agricultura. Pouco relevante para o fluxo desse comércio, o Peru também se tornou o 9º mercado a oficializar algum tipo de embargo à carne do Brasil por conta do mal.
O Ministério da Agricultura recebeu a notificação do governo do Peru na tarde de ontem, mas a nova restrição já era tratada como oficial desde o início do dia pelas autoridades brasileiras, já que a informação já constava no Diário Oficial do Peru. O veto é válido por 90 dias e para todos os Estados do Brasil.
Assim como ocorreu com os outros oito países que levantaram barreiras contra a carne brasileira, o embargo peruano também tende a ter pouca repercussão nos negócios dos frigoríficos brasileiros. Em 2012, o Peru contribuiu com menos de 1% das exportações de carne bovina do Brasil, que somaram 1,1 milhão de toneladas até novembro.
Mas o embargo peruano não foi o único revés do dia para o segmento. Um dez maiores compradores da carne brasileira, o Líbano confirmou ao Ministério da Agricultura, na tarde de ontem, que de fato vetou a carne do Paraná. Pouco expressiva por atingir apenas a acanhada produção paranaense, a restrição fora revelada na quarta-feira pela Embaixada do Líbano no Brasil.
Com as notificações oficiais, Peru e Líbano engrossam a lista de países que se juntaram a Japão, China, Coreia do Sul, África do Sul, Arábia Saudita, Taiwan e Jordânia, sendo que este último também só vetou a carne bovina do Paraná. Somados, esses oito mercados representam cerca de 5% das exportações de carne bovina do Brasil.
Mas as exportações de carne bovina não são as únicas afetadas. Um dos principais focos de contaminação do gado, a farinha de carne e ossos brasileira está proibida no Chile. O produto é usado na produção de ração para animais de estimação.
Fonte: Valor Econômico / De São Paulo.
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| Imagem: Porto de Santos |
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Líbano barra carne bovina do Paraná
O Líbano suspendeu a importação da carne bovina produzida no Paraná por tempo indeterminado. A medida é uma reação ao caso "não clássico" de vaca louca registrado no Estado em 2010 e anunciado no mês passado. A proibição também é válida para animais vivos. O Ministério da Agricultura não recebeu notificação oficial do país.
De acordo com a agência Folhapress, os libaneses proibiram apenas a entrada da carne produzida no Paraná, região onde a doença foi detectada. Até o início da noite de ontem, o Ministério da Agricultura não havia recebido um comunicado oficial do governo libanês sobre o veto parcial. Se o embargo for confirmado, o Líbano será o 8º país a levantar barreiras o contra a carne do brasileira.
Ainda que o país árabe seja um dez maiores compradores da carne brasileira, o veto ao Paraná deve ter um impacto limitado, já que o Estado é pouco representativo para as compras libanesas. Entre janeiro e novembro do ano passado, o Líbano importou 13,5 mil toneladas de carne bovina de todo o Brasil, ou 1,1% das vendas do país no período, segundo dados da Abiec, entidade que reúne as empresas do setor.
Por quanto, os países que oficializaram vetos à carne de todo o país são Japão, China, Coreia do Sul, África do Sul, Arábia Saudita e Taiwan. A Jordânia também levantou barreiras, mas apenas à carne do Paraná.
Ontem, a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, disse que os vetos ferem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Se não há respaldo nas regras internacionais essas barreiras são injustificáveis", disse ela, que ainda frisou "a possibilidade de um contencioso nunca foi descartada. Não hesitaremos em fazer, se tivermos de reduzir barreiras incompatíveis com as regras. Se não há parâmetro de risco sanitário, a barreira é considerada protecionista na OMC ".
Tatiana informou que a Jordânia também está com problemas com importações do Paraná. Segundo ela, até novembro, as barreiras afetaram 4,4% das exportações brasileiras de carne bovina.
O Mapa garante que o Brasil vem tratando o caso com transparência perante os compradores internacionais, além de demonstrar a eficiência e a segurança dos mecanismos de controle brasileiros.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Coréia do Sul comunica ao Brasil suspensão das importações de carne
O Itamaraty informou há pouco que a Coreia do Sul incluiu o Brasil na lista de países com risco para a doença da vaca louca. Isso significa que a suspensão das importações daquele país de carne bovina brasileira.
Com a decisão da Coreia do Sul, são seis os países que anunciaram o embargo à carne bovina brasileira. Além dos sul-coreanos, também já haviam anunciado o embargo a Arábia Saudita, China, Japão, África do Sul e Egito. Fonte: Ministério das Relações Exteriores
Arábia Saudita proíbe importação de carne bovina do Brasil
A Arábia Saudita proibiu a importação de carne bovina de todo o Brasil devido ao caso de "vaca louca" detectada no Estado no Paraná. O Ministério da Agricultura foi notificado nesta segunda-feira da decisão.
Trata-se do maior revés para o setor desde o anúncio do caso, há duas semanas. Um dos dez maiores importadores de carne bovina do país, a Arábia Saudita responde por cerca de 3% das exportações brasileiras.
Até então, apenas países pouco relevantes para o comércio de carne bovina como Japão, China e África do Sul haviam embargado o produto brasileiro. O Egito, outro grande importador, também fez restrições, mas apenas ao Estado do Paraná.
Entre janeiro e setembro deste ano, o Brasil embarcou 28,6 mil toneladas de carne bovina para a Arábia Saudita, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Fonte : Valor Econômico / Por Tarso Veloso
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Egito barra PR por caso “não clássico” do mal da “vaca louca”
O Egito interditou a entrada de
carne bovina do Paraná em seu mercado, aumentando a lista dos países que
levantaram barreiras contra exportações brasileiras em razão do caso "não clássico"
de "vaca louca" confirmado no Estado do Sul do país.
O Valor apurou que
autoridades egípcias, que inicialmente tinham sinalizado que não iriam fazer
restrições, informaram sobre a interdição verbalmente à embaixada brasileira no
Cairo.
Como o
Egito é um dos maiores compradores da carne bovina brasileira, com US$ 493,4
milhões (122.599 toneladas) entre janeiro e novembro, a medida pode inquietar
pelo risco de causar um efeito cascata no mercado. Mas, como a barreira está
restrita ao Paraná, o impacto comercial é insignificante, já que as importações
egípcias procedentes do Estado alcançaram apenas US$ 4,3 milhões (1.109
toneladas) no período.
Japão, China e África do Sul
suspenderam as importações de carne de todo o Brasil. O foco do Egito somente sobre
o Paraná pode ser seguido por alguns parceiros. Na sexta-feira, fontes do setor
privado se inquietavam com indicações de que o Chile poderia proibir a entrada
de carne bovina procedente do Estado.
"Esperamos
que isso não ocorra, porque o Ministério da Agricultura está dando as
explicações", afirmou João Sampaio, vice-presidente da Marfrig, à margem
de um seminário realizado em Moscou (ver matéria acima). O executivo lembrou
que as proibições adotadas por Japão, China e África do Sul afetam apenas 1% das
exportações brasileiras de carne bovina.
O Irã,
outro grande importador da carne bovina brasileira, continua avaliando o caso e
ainda não tomou qualquer decisão. A JBS informou nos círculos comerciais de
Teerã que não havia interrupção nos embarques para o mercado local. JBS e
Marfrig são as maiores empresas exportadoras de carne bovina do país.
Entre
janeiro e outubro, o Irã comprou 59.317 toneladas de carne bovina brasileira
por US$ 282 milhões, aparecendo entre os maiores importadores.
A vinda à
Organização Mundial do Comércio (OMC) de uma delegação do Ministério da
Agricultura para tentar convencer os parceiros de que o caso da "vaca
louca" do Paraná é atípico dificilmente impedirá mais reações contra a
carne brasileira.
Fontes do governo brasileiro admitem que o
problema não é com o caso em si, já que os Estados Unidos registraram
ocorrência idêntica e a União Europeia teve cinco no ano passado.
O que
está havendo é uma forte desconfiança por causa do grande atraso dos testes
sobre a doença. O caso no Paraná começou em 18 de dezembro de 2010, quando um
animal morto aos 13 anos com suspeita de raiva teve amostras coletadas para
análise obrigatória.
O primeiro resultado do teste foi em 15 de
junho deste ano, confirmado em laboratório de referencia internacional no
ultimo dia 7. Ao notificar a Organização Mundial de Saude Animal (OIE), o
Brasil justificou o atraso por motivo de incidente que teria criado uma
sobrecarga no sistema laboratorial oficial.
Uma
suspeita é que o Brasil tenha guardado o caso na gaveta para obter, em maio
passado, o status de país com risco insignificante para a doença da "vaca
louca" pela OIE. Brasileiros rejeitam categoricamente a existência desse
tipo de manobra. Em Moscou, a presidente Dilma Rousseff, sabendo da suspeita,
disse que mandou investigar os motivos do atraso no anúncio do caso. (AM)
Rússia impõe condições para fim de embargo
Se não conseguiu obter o fim do embargo russo contra as carnes de Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, a visita da presidente Dilma Rousseff a Moscou, na semana passada, pelo menos evitou o fechamento do mercado também para produtores que continuam exportando para aquele país.
Para revogar o embargo sobre as carnes paranaenses, gaúchas e mato-grossenses, as autoridades russas deixaram claro para Dilma que depende de o Brasil cumprir as condicionalidades impostas por Moscou.
Uma delas foi uma garantia adicional de que a carne suína exportada para a Rússia não contenha ractopamina, um aditivo de engorda. Tambem para os bovinos, o Brasil se compromete a não vender carne com uso de outros betagonistas, classe de melhoradores de desempenho que também inclui o cloridrato de zilpaterol.
A exigência das garantias contra os betagonistas não tem relação com o embargo aos três Estados. Vale para o Brasil todo. Na semana passada, a exportação dos Estados autorizados ficou suspensa porque o Brasil dizia que não tinha como conceder certificados com a dimensão das exigencias da Rússia.
Esse ponto foi resolvido por um acordo revelado pelo Valor na sexta-feira. O Brasil vai incluir no certificado uma declaração adicional e laudos laboratoriais atestando que a carne vendida para a Rússia é livre de ractopamina. Com isso, os únicos quatro frigoríficos de São Paulo, Goias, Minas Gerais e Santa Catarina que estao exportando suínos para o mercado russo ficam livres da ameaça de terem as vendas proibidas. As vendas deveriam ser retomada no sábado, dependendo da implementação da papelada pelo Ministério da Agricultura.
Mas o fim do embargo contra os três Estados e os esforços para que os riscos para a produção do resto do país sejam evitados dependerão também da inspeção das plantas exportadoras do Brasil. A terceira condicionalidade é o funcionamento do sistema segregado de produção, que separa os suínos ou o gado produzido sem betagonistas.
Uma missão veterinária russa estará no Brasil no primeiro trimestre de 2013. Os russos sugeriram fevereiro, justamente no carnaval, mas o Brasil alega que nesse periodo estará todo mundo na folia. Na ultima vez, os russos visitaram 20 frigoríficos.
A presença da presidente Dilma em Moscou ajudou os técnicos a desmontarem outro risco, "pelo momento", de a Rússia restringir a entrada de carne bovina em razão do caso "não clássico" de "vaca louca" confirmado no Paraná.
Mas a Rússia, disparado o mercado mais importante para a carne bovina brasileira, exigiu documentos adicionais de Brasília, especialmente sobre testes de "vaca louca" nos últimos anos. Os russos são os maiores compradores da carne bovina brasileira, muito mais importantes do que os países que já decidiram barrar o produto por causa da ocorrência (Japão, China e Africa do Sul) juntos.
O setor privado reagiu ao resultado da visita com um sentimento misto. Para Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), ela "evitou retrocesso, mas não avançou com a solução para o embargo dos três Estados".
Para Camargo Neto, presente em Moscou, o embargo nunca foi causado por questões técnicas. "A saúde publica e animal das carnes desses três Estados é indiscutível. O embargo sempre foi 'burocrático-comercial' e perdura ate hoje pelo atraso do Ministério da Agricultura em responder formalmente a todos os questionamentos dos russos. Os atrasos foram uma constante nesses 18 meses e finalmente, poucos dias antes da chegada da presidente, o Ministério da Agricultura entregou todos os documentos faltantes".
"Eu acreditava que a presença em Moscou eliminasse o argumento, até valido, de atraso na entrega de documentos. Existiria boa vontade de ler tudo rapidamente. A única explicação que tenho é que o governo, ao não priorizar na agenda bilateral a questão carnes, deixando sempre para o último item da pauta, sinalizou erradamente o interesse do Brasil em uma solução para o embargo", afirmou ele.
Na delegação brasileira, as versões eram desencontradas. Um negociador disse que os russos fizeram "vagas promessas" sobre o fim do embargo. Outro afirmou que isso está perto, e só não ocorreu agora "por questões burocráticas próprias dos russos".
Na verdade, a Rússia pode estar desmotivada. E uma das razões parece envolver o trigo. Moscou tem insistido em obter uma cota para exportar com tarifa zero, ao invés dos 10% cobrados dos países fora do Mercosul. Como o Brasil é membro da OMC, a cota teria que ser aberta para todos os parceiros. Mas a Rússia é competitiva, apesar da distância encarecer os fretes, por exemplo.
Ocorre que essa tentativa de barganha esfriou pelo lado russo. Por razões climáticas, a Rússia perdeu cerca de 20% de sua safra atual de trigo e chegou a cogitar restringir as exportações. Por outro lado, no Brasil há resistências às barganha. Os argentinos, grandes vendedores de trigo, também reclamam.
Em Moscou, o que surpreendeu mais, na verdade, foram os tropeços da presidente Dilma em relação ao tema da carne. Numa reunião com empresários brasileiros, ela chegou a perguntar porque a carne era tão preponderante na agenda bilateral. Notou que, quando abordou o tema na conversa com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev, o tradutor riu. Quando o próprio Medvedev ouviu a versão russa, riu tambem.
Depois, em entrevista, Dilma equivocou-se de forma dolorosa, insistindo que o embargo russo é apenas sobre a carne suína - na verdade, vale para todas as carnes de Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
A presidente, em todo caso, criticou o Ministério da Agricultura pelo anúncio factoide de duas semanas atrás de que o embargo tinha acabado e que surpreendeu Moscou. Afinal, os negociadores russos são conhecidos pelas ambiguidades, que podem significar tudo e o contrário.
Fonte: Valor Econômico / Por Assis Moreira | De Moscou
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Rússia ainda avalia suspensão de compra de carne do País
A intervenção da presidente Dilma Rousseff não foi suficiente para convencer o governo da Rússia a suspender o embargo à importação de carnes de três Estados brasileiros, em vigor há um ano e meio. Frustrando a expectativa do setor de anúncio de um acordo, a presidente disse que as autoridades de Moscou ainda analisam documentos e informações apresentadas por Brasília.
"Expressei a expectativa pelo pronto restabelecimento do comércio de carne suína do nosso país e do fim do embargo aos três Estados brasileiros", disse Dilma Rousseff ao lado do colega russo, depois de encontro no Kremlin. Em junho de 2011, a Rússia interrompeu a compra de carnes bovina, suína e de frango provenientes do Rio Grande do Sul, Paraná e de Santa Catarina.
"Eu ficarei surpreso se o embargo não for suspenso", disse Pedro de Camargo Neto, presidente-executivo da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Carne Suína (Abipecs), antes do encontro entre Dilma e Putin. Mas tudo indica que a pendência relativa aos suínos foi resolvida. Os embarques do produto foram suspensos no dia 7 de dezembro, quando venceu o prazo dado pelos russos para o Brasil adotar um sistema de certificação para garantir que o produto destinado ao país não possui ractopamina - aditivo alimentar que reduz a gordura e aumenta a quantidade de carne nos animais.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
A notícia não é oficial mas as consequências já se refletiram nos principais mercados
Notícias repercutem negativamente o episódio envolvendo o mal da "vaca louca" ocorrido no sul do país e autoridades brasileiras devem se manifestar nesta quarta-feira. O secretário do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) Célio Porto está na Rússia negociando o embarque da carne brasileira àquele País, e deve emitir nota oficial ainda hoje, já que o Japão embargou oficialmente a carne do Brasil e o Irã se recusou a receber uma carga nesta terça-feira.
O Ministério da Agricultura e a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne(ABIEC), ainda não receberam nota oficial do governo Iraniano, mas o fato é que as ações das principais indústrias frigoríficas despencaram nesta semana na bolsa brasileira e os países importadores temem a contaminação por meio de ingestão da carne importada do Brasil.
Segundo um porta-voz da indústria exportadora, o Irã preferiu não receber essa carga, mas ainda não embargou oficialmente a carne brasileira. O Secretário de Defesa Agropecuária do ministério Ênio Marques assegura que “O caso, detectado há dois anos, é uma ocorrência antiga e isolada, que não traz nenhum risco à saúde pública e à sanidade animal do país”.
O Secretário informa que o caso foi encontrado em procedimentos de vigilância sanitária de rotina estabelecidos pelo Mapa. Ele ressalta ainda que foram realizados, de 2004 até hoje, cerca de 25 mil exames laboratoriais e jamais houve qualquer achado semelhante no País. Além disso, o Secretário informa que o consumo de proteínas de origem animal por ruminantes é proibido no Brasil desde 1996, além do sistema de criação da pecuária brasileira (extensivo) ser refratário à ocorrência do caso clássico da doença.
O Brasil seguiu todos os procedimentos de diagnóstico laboratorial e de investigações epidemiológicas complementares estabelecidos para o caso, tanto aqueles de nível nacional, quanto às diretrizes internacionais definidas pela OIE.
A qualidade do sistema de prevenção da EEB do Brasil é reconhecida internacionalmente pela OIE, que em 2012 incluiu o País na relação de países com “risco insignificante para a EEB”, a melhor categoria mundial possível para essa doença.
O presidente Pedro Gustavo Novis, da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, raça que representa mais de 80% do rebanho brasileiro, ressalta que o Brasil segue todos os protocolos sanitários exigidos pelos Organização Mundial de Saúde Animal e que não há motivo de preocupação.
Segundo Guilherme Marques, Diretor do Departamento de Saúde Animal e Delegado do Brasil perante OIE, o presente resultado laboratorial não afeta o mencionado reconhecimento. “Nossos procedimentos demonstram a transparência e a fortaleza do sistema de vigilância implantado no Brasil, pois nenhum país do mundo está livre de identificar um caso como esse, razão pela qual a própria OIE não classifica os países como livres de EEB, a exemplo do que é possível fazer para outras doenças (febre aftosa, peste equina, PPC, entre outras).”, frisa.
Deve ser destacado ainda que a carne e leite bovinos são considerados pela OIE como alimentos seguros, ou seja, totalmente isentos de risco para a população humana, mesmo quando da ocorrência de casos típicos da enfermidade em um país, o que não é o caso.
Diversos países já registraram casos semelhantes, como Estados Unidos, Canadá, Japão, Portugal e Inglaterra. Somente no ano passado, a União Europeia comunicou 06 casos de EEB atípica junto a OIE.
Fonte: MAPA/ABIEC/ Comunicação Nelore do Brasil
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